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Coceira Psicocorporal

Quando o corpo pede contato, limite ou movimento

 


Nem toda coceira deve ser coçada, algumas, ao serem observadas, diluem-se, gradualmente.


A sensação de coceira é um chamado insistente, ora decorrente de alergia, ou de picadas, ou de uma doença autoimune; ora como reação psicocorporal, motivo que será mais enfatizado nesse texto.


Pode ser localizada ou difusa, leve ou intensa, passageira ou recorrente. Provoca o impulso quase automático de tocar, esfregar, arrancar algo da superfície do corpo, que porém, pode estar encobrindo questões imersas nas profundezas de uma alma silenciada.


A coceira, quando acolhida, informa sobre as inadequações e os excessos da vida, fala sobre invasibilidades e irritação, expondo a necessidade de descarga ou contato no ponto certo, sem mais e nem menos. Quando reprimida ou exacerbada, pode virar compulsão, ferida, inflamação, ou deixar de ser sintoma de uma doença autoimune para ser a prória doença autoimune. Seja como for, é o corpo tentando resolver à flor da pele, o que não encontrou compreensão, compaixão e nem voz.


Coceira vem do latim coceare/cotiare, relacionado a friccionar, esfregar. Simbolicamente, fala de fronteira: algo toca demais ou de menos, abusa ou abandona, de certo, incomoda. É a pele -  o primeiro encontro tátil com o outro, com o mundo exterior - clamando por regulação psicocorporal.


À flor da pele, ela, a coceira, sorri, concorda e se adapta.

Mas quando não dá mais para suportar, a pele arde e se parte.

O corpo faz o gesto que a palavra não fez:

IMPÕE LIMITES.


Na clínica, a coceira alérgica aparece em pessoas hipersensíveis ao ambiente emocional, principalmente, pessoas que escondem seus sentimentos nas trocas racionalizadas. No entanto, mesmo em pessoas não alérgicas, em momentos de trabalho somático, onde há descargas de energias represadas, a coceira vem em ondas, geralmente, do meio do corpo para as extremidades, e nesse caso, ela é muito bem vinda, porque algo está sendo colocado para fora. É a pele chorando. Uma pele que traz a demanda, subliminar e simbólica, de aprender a se proteger.

 

Frases de Pacientes:


“Parece que algo me incomoda por dentro.”

“Meu corpo coça quando fico nervosa.”

“É como se a minha pele não tivesse descanso.”

“Coça sem parar e não descubro como evitar.”

 

Em relações afetivas, a sensação de coceira surge quando há invasão de limites ou abandono, proximidade excessiva ou falta de contato, desreconhecimentos, controle sutil ou dificuldade de separar o que é meu do que é do outro.


Pelas lentes da Psicologia Sistêmica, a coceira deflagra a importância de trabalhar com as fronteiras familiares difusas, os emaranhamentos, os conflitos territoriais, funcionais, transgeracionais.


Pelo olhar Junguiano, a pele como símbolo do ego, precisa ser trocada, na medida em que a sombra psíquica, com o terrível e o incrível do "ser cobra", cobra a atitude do desapego à integração.


Na Traumaterapia (SE, EMDR, Polivagal): a coceira é uma ativação simpática e bem vista, se acolhida e não coçada, porque é sensopercebida como descarga sensório-motora, que poderá desembocar numa completude de ação de defesa, que em algum momento da vida ficou incompleta.


Em contextos de migração, a coceira corporal pode acompanhar a exposição constante a novos códigos sociais, cheiros, alimentos, contatos e normas, ainda repulsivas. O corpo está tentando se defender do desconhecido e do excesso de adaptação e tentando não esquecer sua “pele natal”.


Culturas com diferentes noções de espaço pessoal, toque e intimidade podem gerar coceiras somáticas. Migrantes frequentemente relatam sintomas de pele - é a fronteira do corpo reagindo a um mundo ainda desconhecido. A pele que parte e é partida, deseja restaurar as fronteiras: geográficos, culturais, climáticas, afetivas, familiares.

 

Deixo aqui para você algumas perguntas-reflexão:

  • Onde estou sendo tocada além do que posso sustentar?

  • Quais são meus limites no trabalho e na vida pessoal?

  • O que ficou para trás ou que está à frente que ainda me divide, dividindo a minha pele?

  • O que em mim é desvirtude que precisa ser transfigurada?

  • O que eu preciso me desapegar?

 

E caso queira dicas práticas de como lidar com as sensações de coceira (para além das sugestões médicas), sugiro:

  • Substituir o ato de coçar por pressão firme ou contato contido.

  • Pendular o olhar interno entre uma região do corpo que está agradável, com a parte que coça, e sem coçar, perceber a onda se dissipando.

  • Nomear verbalmente limites antes que o corpo precise fazê-lo. Quem sabe até escrevê-los para ficarem bem nítidos.

  • Fotografar diferentes superfícies, texturas, fronteiras, como um exercício simbólico de acomodação ocular e territorial.

 

A coceira é o corpo lembrando: limite também é cuidado.


Só para ressaltar, esse texto não substitui os cuidados da medicina diante da coceira. Escolher uma forma de se cuidar corporalmente é de suma importância. 


Se desejar ampliar o caminho de autoconsciência mental e corporal, siga os artigos das categorias Dicionários das Emoções e Dicionários das Sensações. E se tiver sugestões de palavras que queira ver aqui descritas, deixe sua dica nos comentários.


Cuide-se bem, Fe.

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